sexta-feira, 30 de setembro de 2016

EM NOVEMBRO, O DIA DA BANDEIRA (Segunda Parte)

Um breve histórico
A bela e imaculada Bandeira republicana do Brasil completa 122 anos neste dia 19 de novembro. Desde 1889, ela não sofreu qualquer alteração – e se isto ocorrer, será para acrescentar as estrelas representativas de novos Estados da Federação. Suas origens, porém, recuam ao longínquo ano de 1097, que marcou a histórica vitória do conde Henrique de Borgonha contra os mouros, ganhando, como troféu de guerra, um pequeno território no sudoeste da Europa, denominado Condado de Portucale, origem do país a quem devemos nossa descoberta, nossa língua e muitos de nossos costumes tradicionais. Assim, a nossa Bandeira começou a nascer 914 anos atrás, ou seja: suas sementes começaram a germinar há quase 1.000 anos.
As cores azul e branco marcam um dos mais importantes episódios históricos de Portugal, que tiveram origem com o nascimento da própria nação portuguesa. Depois de derrotar os mouros em 1097, Dom Henrique, o conde de Borgonha, adotou como insígnia para seu novo domínio uma bandeira constante de um quadrado branco, dividido em quatro partes iguais por uma cruz azul de faixas largas.
Desfraldando essas insígnias de seu pai, dom Afonso Henriques, que viveu entre 1111 e 1185, ele venceu a sangrenta batalha do Ourique. Em 1140, Afonso Henriques fundou o reino de Portugal, adotando para bandeira do novo reino as insígnias de seu pai, em azul e branco, mas substituindo a cruz azul lisa por uma cruz formada por cinco escudos, também azuis, cada um com cinco besantes de prata, simbolizando as cinco chagas do martírio de Cristo. Ele agiu assim porque, na noite em que aconteceu a batalha de Ourique, sonhou ter ouvido do próprio Cristo o desejo de que inserisse no seu estandarte o símbolo das suas cinco chagas.
Assim nasceu a bandeira do reino Português, que em 1250, com dom Afonso 3º, o Bolonhês, recebeu uma orla em púrpura, onde foram inseridas as armas dos vencidos, sob a forma de doze castelos dourados, simbolizando a conquista do Algarve, que anteriormente fazia parte do Califado de Córdoba. O azul e o branco são as cores imemorialmente adotadas por grandes civilizações como que representando o firmamento: o azul do céu e a cor prateada ou branca representando os corpos celestes nele inseridos. Como o azul e o branco geralmente se associam a um estado de tranquilidade e serenidade, constam também na simbologia da paz.
O verde e o amarelo
Há mais de 2.000 anos já temos referências do uso da cor verde como identificadora de um povo, o que ocorreu no antigo Império Romano. Em sua longa e sangrenta luta contra os invasores mouros, os portugueses adotaram o verde primitivo dos lusos como suas cores nacionais. O verde igualmente era a cor distintiva da vanguarda da Cruzada portuguesa, conhecida como Ala dos Namorados, e também figurava orgulhosamente no estandarte que triunfou em Aljubarrota, conduzido por dom Nuno Álvares Pereira. Percorreu depois as selvas brasileiras, com cuja cor se identificou nos estandartes de Fernão Dias Paes Leme, o Governador das Esmeraldas, e tornou-se para os brasileiros o símbolo da esperança, que sempre desabrocha com a primavera.
Além de figurar no Brasão de Portugal desde a conquista do Algarve, em 1250, sob a forma de castelos dourados que representavam as fortalezas tomadas dos mouros, a cor amarela recorda ainda as cores do Reino de Castela, ao qual pertenceu Portugal, até sua independência.
Em 18 de setembro de 1822, 11 dias após o grito da Independência, dom Pedro 1o expedia na Corte o decreto que criou a primeira Bandeira Nacional, instituindo o “tope nacional brasiliense” ou “divisa patriótica”, estabelecendo: “Convindo dar a este Reino do Brasil um novo tope nacional, como já lhe dei um escudo de armas, hei por bem (…) ordenar o seguinte: o laço ou tope nacional brasiliense será composto das cores emblemáticas – verde de primavera e amarelo d’ouro na forma do modelo anexo a este decreto”. Para os nossos ancestrais portugueses, o amarelo não só representava o ouro, símbolo da riqueza e da abastança, mas também o Sol, símbolo de toda a vida animal e vegetal.

* O autor é Ivo Arzua Pereira, associado ao Rotary Club de Curitiba-Oeste, PR, ex-governador do distrito 4730 e assessor do Conselho de Administração da Cooperativa Editora Brasil Rotário (hoje Revista Rotary Brasil). Adaptação de artigo originalmente escrito para as comemorações dos 100 anos da Bandeira do Brasil, em 19 de novembro de 1989.

** Publicado originalmente na edição de 

Nenhum comentário:

Postar um comentário